19 de abril: cinco escritores indígenas para conhecer

No dia 19 de abril, é comemorado o “Dia do Índio” data do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, em 1940, onde lideranças indígenas reuniram-se para discutir pautas a respeito da pós-colonização, políticas públicas e direitos dos povos indígenas. Instituída no Brasil em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas,  a celebração tem como objetivo preservar as memórias indígenas e fomentar a reflexão crítica sobre as relações de poder estabelecidas a partir da chegada das civilizações europeias no nosso continente.

A nomenclatura Dia do Índio, porém, vem sendo bastante questionada ao longo desses últimos anos. Para o indígena e doutor em Educação pela USP Daniel Munduruku, o nome corrobora para consolidar estereótipos sobre a população indígena e poderia ser substituído por “Dia da Diversidade Indígena”. 


Em sala de aula, temos trabalhado as culturas indígenas trazendo linguagem, música, culinária e literatura para enriquecer os aprendizados dos nossos alunos. O assunto é importante não só para entender os preconceitos enfrentados pelas comunidades ainda hoje, como também para conhecer a luta contínua por reconhecimento e direitos. 

Visando incentivar o pensamento crítico e apresentar figuras que têm contribuído em diferentes áreas da literatura indígena, trouxemos indicações de cinco escritores que contam histórias a partir da perspectiva dos povos originários. Vamos lá?

 

  1. Ailton Krenak

Crédito: reprodução/Companhia das Letras

Ambientalista, escritor, filósofo e ativista, Krenak é uma liderança indígena importante há mais de 30 anos. Traz debates estruturais sobre a economia, a natureza e o modo de vida que levamos atualmente, abordando um viés de rupturas e pontuando a importância de preservarmos a mãe-terra. O autor também é organizador da Aliança dos Povos da Floresta, doctor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora e foi premiado com o ‘Juca Pato’, entregue pela União Brasileira de Escritores. 

📚Livros: Ideias para adiar o fim do mundo (2019); O amanhã não está à venda (2020); A vida é útil (2020); e O lugar onde a terra descansa (2000).

👉Indicado para maiores de 13 anos

 

  1. Eliane Potiguara

Crédito: reprodução/Agência Ophelia

Outra liderança de destaque há mais de 20 anos, Eliane Potiguara é professora, escritora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas. Pratica um ativismo poético atravessado na literatura e tem obras muito interessantes com olhar mais cultural voltado ao público jovem e infantojuvenil. 

📚Livros: O coco que guardava a noite (2012); A cura da Terra (2020); O pássaro encantado (2014); entre outros.
👉Indicado para maiores de cinco anos

 

  1. Daniel Munduruku

Crédito: reprodução/Daniel Munduruku Blogspot

Professor e escritor, Daniel já atuou como educador social e possui mais de 50 obras publicadas. Em seus livros, aborda a cultura indígena através de contos, depoimentos e lendas de maneira muito sensível, afetuosa e potente. Possui um canal no YouTube onde publica vídeos informativos de seus livros, além de trazer convidados e olhares diversos sobre esse movimento literário.

📚Livros: Kabá Darebu (2001); Como surgiu – mitos indígenas brasileiros(2011); Coisas de índio (2000);  Sumiço da noite (2006); entre outros.
👉Indicado para maiores de cinco anos

 

  1. Auritha Tabajara

Crédito: reprodução/Itaú Cultural

Conhecida por ser a primeira cordelista indígena do Brasil, Auritha Tabajara é também poeta e contadora de histórias. O seu livro “Magistério Indígena em versos e poesia foi adotado como uma obra didática pela Secretaria de Educação do Ceará e é leitura obrigatória em todas as escolas indígenas do estado. Já no cordel “Toda luta, a história e a tradição de um povo” conta os costumes do povo tabajara.

📚Indicamos a sua mais recente obra Coração na aldeia, pés no mundo (2018), que traz incrível sutileza poética e é muito bem ilustrada com xilogravuras.
👉Indicado para maiores de cinco
anos

 

  1. Julie Dorrico

Crédito: reprodução/acervo pessoal da autora

Doutoranda na PUCRS, poeta e descendente do povo Macuxi, Julie Dorrico se descobriu neta de Macunaíma e indígena aos 26 anos. A partir da busca sobre a sua ancestralidade e seu aprofundamento cultural, traz um livro recheado de memórias, aceitação e pertencimento. 

Segundo a autora, existem hoje, no Brasil, 57 autores indígenas que ela divulga em suas páginas @leiamulheresindigenas e @literaturaindigenaro no Instagram e no canal no YouTube “Literatura Indígena Brasileira”.

📚Indicamos: Eu sou macuxi e outras histórias (2019), livro vencedor do Prêmio FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
👉Indicado para maiores de 10 anos

Curtiu as indicações? Esses são alguns autores que consideramos importantes para introduzir as literaturas indígenas, mas, conforme apontado por Dorrico, há mais de 50 autores com obras publicadas que trazem diferentes perspectivas sobre as suas comunidades. 

Ouvir, ler e aprender com vozes e experiências silenciadas por tanto tempo é extremamente necessário para avançarmos nas discussões e deixarmos de lado estereótipos que nos atrasam enquanto sociedade. Juntas e juntos somos mais fortes.

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Escrito por:
Monica Manhaes


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